Autopsicografia
FERNANDO PESSOA · 1932 · MODERNISMO
Poema metapoético em que Pessoa transforma o fingimento em chave da criação e da leitura.
Coleções: Literatura Portuguesa · Modernismo
Sobre o autor
Fernando Pessoa publicou em vida um só livro de poemas em português, a Mensagem. Deixou numa arca a obra de dezenas de outros poetas que ele inventou e assinou.
Temas: fingimento · poesia · consciência · ortônimo
Autopsicografia, na íntegra
É o texto completo, em domínio público — o mesmo que sai no arquivo EPUB. A grafia é a da fonte de onde ele foi transcrito: em obras do século XIX ela difere da atual, e não é erro de digitação.
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Obra em domínio público. Por que estas obras são de todo mundo.
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