UNDERSTORY.OBRApré-modernismo · 1948

Clara dos Anjos

LIMA BARRETO · 1948 · PRÉ-MODERNISMO

Clara, jovem negra do subúrbio carioca, é seduzida e abandonada por um rapaz branco de classe média, numa narrativa que critica o racismo estrutural e a vulnerabilidade das mulheres pobres no Brasil.

racismo · suburbio · mulher negra · classe social

Ensaio da Equipe Subsolo Ponto · 3 fontes no pé da página

Um romance póstumo de Lima Barreto

As datas de Clara dos Anjos pedem cuidado, e contam por si uma história. O romance só saiu em livro postumamente, em 1948, depois da morte de Lima Barreto em 1922 (CALOTI, 2013). O leitor tem nas mãos, portanto, um testamento literário: uma obra escrita por um homem doente e já quase sem ilusões, sobre um assunto que o acompanhou a vida inteira.

O subúrbio como território literário

Clara vive com os pais numa casa modesta do subúrbio carioca, território literário central do romance: um mundo de famílias pobres que tentam preservar a respeitabilidade e de relações marcadas pela desigualdade. No romance, esse cenário não é pano de fundo: é a própria engrenagem da história, porque define o que Clara pode e o que não pode esperar da vida.

Uma menina cercada

A premissa é direta: Clara, jovem negra e pobre, criada com desvelo mas sem armas para o mundo, atrai a atenção de Cassi Jones, um rapaz branco de classe média, violeiro de fama duvidosa e especialista em seduzir meninas sem proteção. Lima Barreto arma a situação como advertência e denúncia: mostra como o racismo, a pobreza e a educação sentimental das moças, feitas de modinhas e ilusões românticas, se combinam para deixar uma jovem como Clara desprotegida diante de um predador que a sociedade não pune. O romance também permite observar o racismo à brasileira, que opera sem leis escritas, por desprezo silencioso e portas que se fecham (CALOTI, 2013).

Morte, esquecimento e consagração

Lima Barreto morreu em 1922, depois de trabalhar no serviço público e de ter passagens pelo hospício (ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, [s.d.]). A recepção de sua obra se ampliou depois da morte. Clara dos Anjos, romance póstumo e tardiamente publicado, permite discutir raça, gênero e cidade no Brasil.

Sobre esta edição

A fonte do texto que a narração lê é o Wikisource em português. O arquivo veio de pt.wikisource.org.

Fontes

Cada afirmação de fato deste ensaio se apoia nas fontes consultadas na íntegra. As de acesso parcial estão marcadas como tais e não sustentam nada aqui.

Consultadas na íntegra

  1. ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Lima Barreto, o defensor do tupiguarani. Rio de Janeiro: ABL, [s.d.]. Disponível em: https://www.academia.org.br/artigos/lima-barreto-o-defensor-do-tupiguarani. Acesso em: 23 ago. 2026. academia.org.br
  2. CALOTI, Vinícius de Aguiar. Clara dos Anjos: uma interpretação do Brasil. Simbiótica, Vitória, v. ún., n. 3, p. 127-129, jun. 2013. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/simbiotica/article/download/5497/4016/11477. Acesso em: 23 ago. 2026. periodicos.ufes.br

Recomendadas, não consultadas

  • SILVA, Alexandre Batista da; COSTA, Elisa Andrade; RIBEIRO, Hilma. Clara dos Anjos: a continuidade do racismo no Brasil pós-abolição. In: LIMA BARRETO NA SALA DE AULA: questões raciais e de gênero. São Paulo: Blucher, 2022. p. 161-178. DOI: 10.5151/9786555502619-09. Disponível em: https://openaccess.blucher.com.br/article-details/09-23358/. Acesso em: 23 ago. 2026. openaccess.blucher.com.br

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O rascunho foi escrito com ajuda de inteligência artificial. Depois disso, cada afirmação de fato deste ensaio foi conferida contra as fontes listadas acima, uma por uma. Datas, edições e números que não resistiram à conferência foram cortados em vez de arredondados. As fontes foram conferidas uma a uma, e o que não deu para conferir saiu do texto. A revisão editorial humana está concluída.

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